Skip to main content

Governança Analítica: o que é, o que muda e por que ela sustenta as decisões

Toda empresa de médio e grande porte tem indicadores, relatórios, painéis e, cada vez mais, modelos de IA. Ainda assim, muitas reuniões de resultado começam com a mesma pergunta: qual desses números está certo? A Governança Analítica existe para responder a essa pergunta.

A governança de dados cuida da qualidade, da segurança e da disponibilidade dos dados. As ferramentas de BI e de IA entregam informação cada vez mais rápido. Entre os dois fica o que a diretoria de fato usa para decidir: o indicador com sua regra de cálculo, a meta, o painel, a previsão do modelo. Essa camada raramente tem dono, definição escrita ou critério de qualidade.

Este artigo abre uma série sobre o tema. Explicamos o que é Governança Analítica, de onde vem o termo, o que muda em relação à governança de dados e como o CCF, framework de Governança Analítica desenvolvido pela RISTI, organiza o assunto.

Sumário

O que é Governança Analítica

Governança Analítica é o mecanismo institucional com que a organização constrói e preserva a Confiabilidade do seu Patrimônio Analítico, para que ele sustente decisões e ações.

Patrimônio Analítico é a estrutura formada pelos Ativos Analíticos da organização e pelos Elementos Analíticos que os sustentam:

  • Ativo Analítico é uma entrega institucional disponibilizada pela organização para apoiar a tomada de decisão, como um indicador oficial, um relatório gerencial, um painel da diretoria ou um modelo de previsão.
  • Elemento Analítico é uma estrutura que compõe, sustenta ou viabiliza um Ativo Analítico, como a definição de um indicador, sua regra de cálculo, as fontes de dados, as metas e os responsáveis.

Um exemplo: o indicador de custo por tonelada que a diretoria acompanha todo mês é um Ativo Analítico. A fórmula, as contas contábeis que entram no cálculo, a base de produção usada como divisor e a pessoa que responde pelo indicador são Elementos Analíticos. Se qualquer um deles muda sem controle, o indicador perde Confiabilidade, mesmo que os dados de origem estejam corretos.

De onde vem o termo

O termo tem pelo menos uma década. Em 2015, Atiya Avery e Kyle Cheek publicaram no congresso AMCIS o artigo Analytics Governance: Towards a Definition and Framework, voltado às políticas e aos processos da função analítica nas empresas. Desde então a expressão aparece em publicações de mercado e de fornecedores de software. O Gartner avalia plataformas de governança de dados e analytics em relatório próprio, e um artigo da TechTarget de 2024 define analytics governance como o conjunto de políticas, padrões e processos que garantem o uso responsável, ético e em conformidade dos dados em iniciativas analíticas.

Nessas referências, o foco costuma estar nas regras de uso dos dados em projetos analíticos e nas ferramentas que controlam esse uso. O CCF, criado por Bruno Ruiz, fundador da RISTI, parte de outra pergunta: o que a organização precisa governar para confiar nas informações com que decide? A resposta coloca no centro o Patrimônio Analítico e a Confiança que ele sustenta.

O CCF nasceu da prática, num projeto de governança de dados em uma agroindústria, e foi transformado em método reutilizável.

O que muda em relação à governança de dados

As duas disciplinas se complementam. A Governança Analítica depende de dados bem governados, mas trata de outro objeto.

Aspecto Governança de dados Governança Analítica
Objeto Dados, bases e sistemas de origem Patrimônio Analítico: indicadores, relatórios, painéis, modelos e o que os sustenta
Pergunta central O dado está correto, seguro e disponível? A informação usada para decidir é confiável e entendida da mesma forma por todos?
Falha típica Cadastro duplicado, dado incompleto, acesso indevido Dois números para o mesmo indicador, meta sem responsável, fórmula alterada sem registro
Resultado esperado Dados confiáveis Decisões e ações sustentadas por informações confiáveis

Uma empresa pode ter dados de boa qualidade e ainda discutir números em toda reunião, porque cada área calcula o mesmo indicador de um jeito. Nesse caso, o problema está no Patrimônio Analítico.

A base da Governança Analítica: da Confiabilidade à decisão

O CCF organiza a Governança Analítica numa cadeia:

  1. Patrimônio Analítico: o que é governado.
  2. Governança Analítica: o mecanismo institucional que o governa.
  3. Confiabilidade: a propriedade que a governança constrói e preserva no Patrimônio Analítico.
  4. Confiança: a condição organizacional que resulta dessa Confiabilidade.
  5. Decisão e ação: onde o valor da informação se materializa.

A distinção entre Confiabilidade e Confiança é o ponto central. Confiabilidade é uma característica da informação e pode ser construída com definições, responsáveis, regras e controles. Confiança é uma condição das pessoas e da organização, e resulta da Confiabilidade construída ao longo do tempo. Sem Confiança, a informação existe mas não é usada para decidir, e cada gestor volta à própria planilha.

Por que isso importa agora

Por muito tempo, quem consumia indicadores eram pessoas, capazes de estranhar um número e perguntar a alguém. Hoje, modelos de IA e agentes consomem os mesmos indicadores, definições e bases para responder perguntas e, em alguns casos, agir. Um modelo não estranha um número fora do padrão: se o Patrimônio Analítico não for confiável, a IA repete o erro em escala, com aparência de precisão.

Por isso o CCF é independente de tecnologia. Ferramentas de BI, plataformas de dados e modelos de IA aparecem como exemplos de onde o Patrimônio Analítico vive e é consumido, e os princípios continuam válidos quando essas ferramentas mudam. O artigo Centro de Excelência em IA: por que IA sem governança não escala trata esse problema do ponto de vista da IA.

Como o CCF está organizado

O CCF é um sistema integrado de modelos de referência para Governança Analítica. Ele descreve capacidades, sem prescrever organogramas, fornecedores ou tecnologias. São seis modelos, cada um respondendo a uma pergunta:

  • por que governar (Fundamentos);
  • o que governar;
  • como administrar a governança;
  • como operacionalizar;
  • como avaliar;
  • como evoluir.

Os modelos funcionam juntos e não precisam ser adotados em sequência. Os próximos artigos da série detalham cada um deles.

Por onde começar

Cinco perguntas ajudam a entender onde a empresa está:

  1. Quais indicadores a diretoria usa, de fato, para decidir?
  2. Cada um deles tem definição escrita, regra de cálculo e responsável?
  3. Duas áreas chegam ao mesmo número quando calculam o mesmo indicador?
  4. Quando um número muda de um mês para o outro, alguém consegue explicar por quê?
  5. Quais relatórios, painéis ou modelos de IA usam esses indicadores sem que ninguém os revise?

Se a maioria das respostas for incerta, o trabalho começa pela forma como o Patrimônio Analítico é governado, antes de qualquer troca de ferramenta.

Conclusão

As empresas investiram em dados e em ferramentas para transformar dados em informação. A Governança Analítica cuida do passo seguinte: garantir que a informação usada para decidir seja confiável e que as pessoas confiem nela.

Quer saber em que ponto sua empresa está? Responda ao Questionário de Maturidade e Adoção de Dados da RISTI ou fale com nosso time.

Leia também:

Bruno Ruiz é fundador e CEO da RISTI e criador do CCF, Framework de Governança Analítica.

Leia também esses posts
Clear Filters